Matéria publicada no jornal Em Tempo, números 29 e 30, denunciando a ação da CIA para domesticar o sindicalismo, revela que entre 1963 e 1978 os EUA investiram cerca de $ 7.000.000,00 (sete milhões de dólares) no movimento sindical brasileiro. Dinheiro gasto tanto na formação de sindicalistas, como em projetos sociais e em viagens de intercâmbio aos Estados Unidos.

Com a fundação do ICT (Instituto Cultural do Trabalho), ainda em 1963, e a vitória do movimento de 1964, essa influência assumiu uma forma qualitativamente superior, através da criação de um complexo plano educacional, da construção de sedes e colônias de férias e da ampliação do assistencialismo sindical (gabinetes dentários, ambulatórios médicos, farmácias, restaurantes, etc).

Através do ICT, o AIFLD (em português, Instituto Americano para o Desenvolvimento do Livre Sindicalismo – IADESIL), que tinha sede no Rio e escritórios em São Paulo e Recife, selecionava líderes sindicais para cursos de especialização nos EUA, em Front Royal e na Universidade de Georgetown.

Em 15 anos (1963/1978), o IADESIL formou cerca de 50 mil sindicalistas brasileiros em cursos avançados nos EUA e em São Paulo, em cursos especiais e em cursos regionais, principalmente no Nordeste. Só nos EUA, em Front Royal Institute, foram formados cerca de 350 líderes sindicais.

O programa de intercâmbio entre sindicatos (dos EUA e Brasil), previa que grupos de 8 a 10 brasileiros visitassem sindicatos americanos durante 6 semanas, freqüentando cursos rápidos e com uma escala no México, na ida ou na volta. Cerca de 400 líderes sindicais brasileiros participaram deste programa, enquanto 40 líderes americanos vieram ao Brasil.

O programa de intercâmbio cultural era considerado o filé-mignon das relações, poucos líderes foram selecionados para participar dessa ‘mamata’. Entre 1967 e 1969, por exemplo, apenas oito pessoas foram agraciadas: 3 presidentes de Confederações, 2 professorers universitários, 2 parlamentares e 1 padre ativista camponês.

Na área social, foram financiados vários projetos. Até mesmo a Federação dos Jornalistas do Brasil foi beneficiada, com a compra de um laboratório fotográfico e a montagem de uma escola de fotografia, no valor de $10.000,00 (dez mil dólares).

O dinheiro que pagava estes programas vinha da AFL-CIO, uma poderosa central sindical norte-americana, de agências do governo dos EUA, de empresas multinacionais e de sindicatos brasileiros. Falei AFL-CIO? Isso mesmo, aquela do “amigo Stan”. Mas isto será assunto de uma outra postagem.

Fonte: Cadernos Terragente, nº 1, junho 1980, publicado pelo GEA (Grupo de Estudos Agrários).